Relatório da Polícia Civil aponta esquema sistêmico no MorumBIS

Atualizado: 20/03/2026, 11:17
Imagem panorâmica do Morumbi visto de perto da bandeirinha do escanteio

Conforme reportado pelo GE, as investigações do DPPC apontam que o esquema de comercialização clandestina de camarotes não era um fato isolado, mas uma operação orquestrada por sócios informais. O documento detalha que a fraude lesava diretamente as finanças do Clube da Fé, desviando receitas de eventos e partidas.

O nome de Marcio Carlomagno, ex-superintendente geral e aliado histórico de Julio Casares, aparece pela primeira vez no centro da "sociedade" investigada. O relatório indica que ele era parte fundamental da engrenagem que permitia a operação ilegal dentro do estádio.

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O "Caderno da Fraude": A prova material

A base das conclusões policiais, segundo o GE, é um caderno apreendido na residência de Rita de Cássia Adriana Prado em janeiro deste ano. O material funciona como um diário contábil da corrupção, especificando datas, eventos e a divisão de lucros.

Nas anotações, a polícia encontrou a partilha de 25% para cada membro do grupo. Os nomes apontados como integrantes da associação criminosa são:

  • Rita de Cássia Adriana Prado (Operadora financeira);

  • Mara Casares (Ex-diretora de eventos);

  • Douglas Schwartzmann (Ex-diretor adjunto da base);

  • Marcio Carlomagno (Ex-superintendente geral).

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Linha do Tempo: De Coldplay a Shakira

A exploração clandestina teria ocorrido em um período de quase dois anos. As anotações sugerem que o esquema teve início em março de 2023, durante os shows do Coldplay, e manteve-se lucrativo até fevereiro de 2025, na passagem de Shakira pelo MorumBIS. O relatório destaca que o grupo utilizava nomenclaturas hierárquicas para organizar o saque ao patrimônio tricolor.

Defesas negam envolvimento e criticam relatório

Após a divulgação das informações as partes citadas se manifestaram:

  • Marcio Carlomagno: A defesa nega qualquer relação comercial com Adriana Prado ou recebimento de valores ilícitos.

  • Douglas Schwartzmann: Seus advogados criticam o vazamento do relatório e afirmam que as anotações do caderno carecem de confiabilidade jurídica.

  • Mara Casares: A equipe jurídica classifica o relatório como "meramente interpretativo" e baseado em conjecturas.

  • Adriana Prado: A defesa sustenta a legalidade de seus atos e afirma que aguarda o momento oportuno para contestar as provas.

O impacto para o São Paulo FC

O escândalo surge em um momento de reconstrução institucional. Carlomagno, que era visto como um potencial sucessor político na era Casares, agora enfrenta o escrutínio da Justiça.

Para o Soberano, o desafio é blindar os processos de venda de ingressos e camarotes, garantindo que o MorumBIS gere receita exclusivamente para o fortalecimento do futebol e do clube.


Priscila Araújo
Autor
Sou redatora de futebol no MundoBola, com foco em notícias e cobertura do dia a dia de clubes e competições.