Investigação aponta venda clandestina de camarotes no São Paulo desde 2023

Atualizado: 25/02/2026, 12:47
Camarote SP

A investigação sobre o escândalo da venda ilegal de camarotes no MorumBIS ganhou um novo e grave capítulo. A força-tarefa policial responsável pelo caso já possui evidências que comprovam que o esquema de exploração clandestina dos espaços no estádio do São Paulo não foi um caso isolado durante o show da cantora Shakira.

Camarotes do MorumBIS: caderno apreendido expõe como funcionava esquema de exploração

Segundo o "ge", a polícia tem condições de afirmar que a comercialização irregular ocorre ao menos desde 2023, abrangendo diversos shows realizados na casa tricolor.

Esquema reiterado e lesivo ao clube

Um dos focos principais da investigação era determinar a linha do tempo das infrações. Com as novas provas, as autoridades identificaram uma "conduta de exploração ilegal dos espaços de forma reiterada e lesiva ao clube, que sempre foi colocado à margem de qualquer reconhecimento formal".

Entre os crimes investigados pelas autoridades estão corrupção privada do esporte e associação criminosa na exploração prolongada dos camarotes.

O inquérito segue em fase de depoimentos. Na última terça-feira, Rita de Cássia Adriana Prado, apontada como intermediária do esquema, compareceu à delegacia. No entanto, ela optou pelo silêncio, alegando problemas de saúde, e chegou a desmaiar na saída do local.

Os próximos a serem ouvidos serão Mara Casares (ex-diretora e ex-esposa do então presidente Julio Casares) e Douglas Schwartzmann (diretor adjunto de futebol de base).

A polícia reforça, contudo, que a investigação não depende dos depoimentos para avançar. As autoridades seguem analisando provas documentais e dados de inteligência de forma ininterrupta, além de já terem realizado buscas e apreensões nas residências dos acusados.

Relembre o caso

O escândalo veio à tona em novembro do ano passado, quando um áudio revelou a suposta participação de Douglas Schwartzmann e Mara Casares no esquema.

A gravação citava o uso do camarote no setor leste, conhecido internamente como "sala presidencial". O direito de uso teria sido repassado à Rita de Cássia, que vendia ingressos a preços exorbitantes.

No show de Shakira, realizado em fevereiro de 2025, os ingressos chegaram a custar R$ 2,1 mil. Apenas com o camarote 3A, estima-se que o faturamento desviado tenha sido de R$ 132 mil.

O caso está sob responsabilidade do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) e da terceira delegacia (lavagem de dinheiro), com o delegado Tiago Fernando Correia à frente, em ação conjunta com o Ministério Público.

A força-tarefa apura irregularidades cometidas entre 2021 e janeiro de 2026, período da gestão de Julio Casares. São três inquéritos distintos em andamento, que também apuram lavagem de dinheiro e corrupção no clube social.

Até o momento, o São Paulo Futebol Clube é tratado nos inquéritos como possível vítima das ações de seus diretores e associados.


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James Brito
Autor
26 anos, natural de Vitória da Conquista (BA), jornalista em formação pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). Curioso por natureza, busca no esporte um campo infinito para observar, aprender e comunicar.